segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Segue, menina!

Como se sabe quando se cresce, nem sempre a vida toma o rumo que a gente planejou. Que a gente sonhou. E tem coisa que se desfaz e parece que a gente não vai suportar... Parece que a vida não tem mais sentido.

Mas que egoístas somos nós, de achar que as pessoas devem viver de acordo com os nossos anseios e que só assim teremos motivo para seguir.

Enquanto não soubermos conviver com nós mesmos, a sós, não estaremos prontos para dividir a vida com ninguém: marido, filhos, amigos, colegas de trabalho.

É difícil ver um sonho se desfazendo, escoando feito água entre nossos dedos. Estava bem ali em nossas mãos. Era todo nosso. Mas se foi... E não há desespero que o traga de volta. É difícil também raciocinar naquele momento, quando a certeza é nítida: acabou! Meu sonho de vida acabou! É uma dor terrível. Mas passa. Passa sim! 

E como saber se aquele era mesmo o seu grande sonho? Como saber se a vida não te reserva novos, maiores e incríveis sonhos? E se você olhar para o lado, será que suas maiores realizações não permanecem bem aí?

Filhos. Emprego. Casa. Amigos. Juventude na alma!

É difícil deixar partir quem ainda se ama com todas as forças. Mas todo ser humano é ímpar. Individual. E precisa seguir seu caminho. Se não escolheu seguir ao teu lado, solte sua mão... Ele só deveria ficar enquanto os sonhos eram recíprocos. Não são mais.

E não diga que não deu certo. Deu sim! Foi lindo! Foi maravilhoso! Teve torcida organizada, casamento na praia, viagens, dias lindos, filhos, lágrimas de amor, de dor, tanta paixão nos feriados tórridos do Ceará! Guarde só o que foi bom no seu coração e siga, menina! Ainda há tanto o que viver...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Onde vive essa tal "estabilidade"?

Eu ouço as pessoas falando que estão esperando a "estabilidade" para casar, para ter filho, para viajar e conhecer o lugar que mais querem na vida, para comprar uma casa, para ter um cachorro, para ter um jipe, para ter outro filho, para viajar para mais longe e passar mais dias dessa vez. Eu também pensava assim. Eu também já me culpei por ter dado um passo adiante antes da tal "estabilidade" chegar. E o tempo foi passando e eu descobri que ela estava aqui desde que te conheci... A estabilidade da minha alma. Eu casaria de novo num estilo ainda mais underground e rock and roll, mesmo se meu salario fosse cinco vezes maior. Eu tentaria engravidar de novo do nosso primeiro filho, mesmo se o meu salário fosse cinco vezes menor. Eu iria outras dez vezes pro Ceará apenas com as passagens de ônibus e mais cem reais para passar quatro dias de um feriadão derretendo de tanto fazer amor. Eu moraria onde fosse ao seu lado. Passaria férias bem aqui na Garça Torta, se o dinheiro ainda não dá para ir até Noronha. Mas não, eu não esperaria essa"estabilidade" que todo mundo espera. Minha alma estabilizou. Eu te amo cada vez mais! 

segunda-feira, 16 de março de 2015

'Minha vida por outras quinhentas vidas'

No início da década de 80 um grupo de estudantes do curso de Oceanografia do Rio Grande do Sul se interessou em se aprofundar na pesquisa sobre o peixe-boi marinho e a desova de tartarugas marinhas no litoral do Brasil.
Naquela região não havia o registro de ocorrências do mamífero aquático e nem se viam tartarugas desovando naquelas praias. Imaginava-se então que aquelas espécies já não existiam mais em nossos mares.
Até que durante uma excursão pelo Nordeste aquele mesmo grupo de estudantes descobriu que o peixe-boi continuava vivo e que as tartarugas marinhas se reproduziam, dando continuidade à existência da sua espécie naquelas praias onde o verão prevalecia na maior parte do ano.
Animados com a descoberta, os jovens gaúchos passaram a pesquisar mais sobre o peixe-boi marinho, pois a espécie já não aparecia nas praias da Bahia desde os anos 60 e também desapareceu do litoral de Sergipe no ano de 1985, quando um último indivíduo foi caçado naquele estado.
“Nosso país é o único do mundo que registra a ocorrência de duas espécies de peixe-boi: o marinho e o da Amazônia. Quando descobrimos que esses animais ainda existiam entre o Nordeste e o Norte do Brasil, passamos a monitorar e a resgatar os filhotes que encalhavam”, conta a pioneira do projeto Peixe-Boi, Eunice Maria Oliveira, que fazia parte daquele grupo de estudantes que veio do Sul para “salvar” o peixe-boi marinho no Nordeste.
O grupo contabilizou a existência de apenas 500 indivíduos através de pesquisa de campo. Os jovens estudantes visitaram diversas praias, realizaram campanhas contra a matança do peixe-boi marinho, conversaram com os pescadores mais antigos e colheram informações importantes sobre a espécie com seus próprios caçadores, que sabiam sobre o comportamento do animal e assim, ajudavam a encontrá-lo na natureza.
Dali em diante se deu início ao trabalho de preservação do peixe-boi marinho. As comunidades ribeirinhas se tornaram aliadas depois de receber orientações sobre a importância da preservação do animal e também dos manguezais, ambiente onde várias espécies se reproduzem, inclusive o peixe-boi.
“Contratamos pessoas das comunidades para observar os animais e nos levar aos locais de ocorrências. Aprendemos a perceber qual a melhor maré para avistá-los, tudo ensinado pelos próprios pescadores”, conta Eunice.
Trinta e cinco anos depois, o jornal Tribuna Independente acompanhou a soltura de uma fêmea de peixe-boi marinho no dia 5 de março de 2015, na base do Centro de Mamíferos Aquáticos Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio), localizadas em Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas.
É o 40º animal a ser solto em Alagoas e toda a história desde o resgate até o momento da soltura envolve a vida de muitas pessoas que deixaram sua cidade natal, sua família, o conforto da modernidade, para se dedicar à preservação desses 500 indivíduos ainda resistentes à interferência do homem, à poluição dos rios, ao desmatamento dos manguezais, aos grandes empreendimentos construídos em áreas de preservação e, principalmente, à ignorância dos que ainda têm a capacidade de tirar a vida de um indivíduo dócil por pura maldade.
Pioneira se emociona com dedicação de seus sucessores
Chegou a hora de Natália voltar para o seu habitat natural. A decisão da equipe formada por profissionais veterinários, biólogos, zootecnistas e tratadores foi tomada depois de terem cuidado do animal no recinto de Porto de Pedras durante 9 meses.
Homenageada durante a soltura, a pioneira no projeto Eunice Maria - que hoje é servidora da Unidade Avançada de Administração e Finanças (UAAF) do ICMBio, em Arembepe na Bahia - conta que desde os primeiros resgates, a equipe tentava devolver o filhote para a mãe.
“Desde os primeiros encalhes que a nossa prioridade sempre foi tentar devolver o filhote para a mãe, mas na maioria das vezes não conseguimos, então levamos para o cativeiro, para que o animal passe por uma reabilitação até estar pronto para ser solto na natureza”, explica.
Nice, como é chamada pelos colegas de trabalho, acompanhava a soltura do 40º animal reabilitado no recinto alagoano. Ela foi escolhida para ser a madrinha de Natália.
“Quando a gente começou o trabalho, ninguém ouvia falar no peixe-boi. Se nós não tivéssemos começado o projeto talvez hoje não existisse nenhum indivíduo desses na natureza. Estou muito feliz por estar participando desse momento”.
Emocionada ao ser homenageada durante a soltura de Natália, Eunice se disse realizada por ver que os novos profissionais cuidam do peixe-boi com a mesma dedicação da primeira equipe, a que iniciou o projeto e que ela fazia parte.
“É gratificante ver como a equipe trabalha com o mesmo amor que nós tínhamos no início. Como eles estão fazendo bem esse trabalho de conscientização e envolvendo a comunidade! Me admiro por ver como esses meninos hoje conhecem o peixe-boi mais do que eu”, relata Eunice.
NATÁLIA
Natália foi resgatada na Praia de Retiro Grande, na cidade de Icapuí, no Ceará ainda filhote. Era dia de Natal, 25 de dezembro de 2011. Daí o nome escolhido para batizar o animal.
A fêmea de peixe-boi foi levada do Ceará para o cativeiro localizado em Itamaracá, Pernambuco. Lá o animal foi alimentado com mamadeiras e recebeu tratamento veterinário. Então, quando atendeu aos critérios determinados pela equipe responsável pela saúde do bicho, foi levado para o recinto em Alagoas para que fosse iniciado o processo de reintrodução.
Aos três anos e 10 meses, medindo cerca de 2,5 metros e com peso estimado em 300 quilos, Natália ganhou a liberdade no dia 5 de março de 2015, depois do processo de readaptação ao seu ambiente natural e aprendendo a se alimentar sozinha. O alimento principal da sua dieta é o capim agulha, encontrado em rios e mares.
A equipe entende que o animal está pronto para ser solto quando está saudável, com um bom peso e tamanho.
Mas o trabalho dos profissionais envolvidos na preservação do animal não acaba com a soltura. Agora Natália está sendo monitorada - de forma mais intensiva nos próximos três meses - através de sinais de satélite enviados de um transmissor colocado em um cinto preso na sua cauda. As informações chegam até os profissionais do Projeto Peixe-Boi pela internet e esse acompanhamento deve durar por um ano, período onde o risco de encalhe ainda existe e o animal pode ainda encontrar dificuldades para se alimentar e encontrar água doce, podendo se desidratar.
Cada peixe-boi solto pelo Projeto também recebe um chip com um código de barras, podendo ser identificado mesmo depois que o transmissor parar de enviar mensagens por satélite.
O trabalho conta ainda com a participação da comunidade e principalmente dos pescadores, que avisam sobre avistamentos do animal e assim, a equipe que trabalha com a preservação da espécie consegue acompanhar o seu desenvolvimento na natureza.
‘É um projeto de vida e não um trabalho’
Iran Normande faz parte do Projeto Peixe-Boi desde o ano de 2006. O analista ambiental mudou de Maceió para Porto de Pedras no ano de 2010, quando passou a viver mais perto dos animais e a se dedicar ainda mais ao trabalho de conservação da espécie.
“Não foi nenhum sacrifício, afinal, eu moro em um lugar lindo. É um projeto de vida e não um trabalho. Nossa vida se converte a isso, a salvar o peixe-boi. Passamos muito tempo longe da família e acabamos construindo uma nova família aqui, um novo ciclo de amizades. Eu não me arrependo. Eventos como o da soltura de Natália fazem a decisão de mudar de vida valer a pena”.
A veterinária Fernanda Niemeyer Attademo é parceira do Projeto desde 2003. Ela conta que já viu mais de 50 peixes-boi serem resgatados e em torno de 30 serem devolvidos ao seu habitat natural depois de passar pela reabilitação em recinto.
“Quando eles são devolvidos à natureza eu sinto o mesmo que uma mãe sente ao ver seu filho se formar na universidade e conseguir seu primeiro emprego. É muito boa a sensação de ter contribuído para a conservação e o futuro da espécie”, descreve.
Fernanda conta ainda que deixou toda a família e os amigos de infância no Rio de Janeiro para se dedicar aos “gorduchos”, como ela costuma chamar os peixes-boi.
“As relações acabam ficando em segundo plano, pois como veterinária estou sempre priorizando a saúde dos bichos e isso faz com que alguns momentos pessoais sejam perdidos. Mas com certeza tudo isso vale a pena. Nada é mais gratificante do que ver os animais saudáveis e repovoando a natureza graças ao empenho da nossa equipe”.
A coordenadora do CMA, Fábia Luna, destaca a importância do Projeto para a sobrevivência da espécie.
“Se não houvesse a atuação do Projeto, muitos filhotes teriam morrido encalhados. Uma das atividades de maior importância é o resgate e a devolução desses animais ao seu habitat natural. Cada vez que um animal desses é devolvido à natureza, tenho a sensação de dever cumprido. Sinto uma grande satisfação em ver o animal seguir seu caminho, livre”.
Fábia está no projeto há 17 anos e já acompanhou o tratamento e a soltura de mais de 50 peixes-boi.
“Eu deixei minha cidade natal e meus amigos para abraçar o Projeto. A família a gente sempre leva com a gente, apesar de deixá-los saudosos por não estarmos presentes fisicamente em momentos importantes. Para mim a escolha valeu pena. Ver a espécie se recuperando e contribuir para a conservação dos gorduchos vale sim a pena”.
A importância da educação integrada ao Projeto Peixe-Boi
José Ulisses Santos era diretor de uma escola em Maceió e planejava fazer mestrado. Foi quando o então educador resolveu concorrer a uma vaga no concurso do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Quando passei no concurso para atuar como analista ambiental, eu pensava no retorno financeiro, que seria bom. Então meu objetivo de continuar atuando como professor mudou e em 2007 eu entrei para o Projeto Peixe-Boi. Eu era o único da equipe com formação na área de educação e tinha dúvidas sobre como seria a minha atuação”, conta.
Foi quando Ulisses viu nas comunidades carentes a chance de unir seu papel de educador ao trabalho de preservação do mamífero aquático.
“Eu iniciei um trabalho de conscientização nas comunidades carentes. Foi a forma que encontrei para contribuir com o projeto, com a preservação ambiental e descobri que trabalhar com isso vai muito além do trabalho do veterinário e do biólogo. É muito mais amplo do que se imagina. É preciso envolver as pessoas, manter um diálogo com a comunidade, com as lideranças políticas, porque o projeto impõe regras por sua visão mais técnica e isso pode incomodar”.
Ulisses sempre convida os estudantes de escolas públicas de Porto de Pedras para participar dos eventos relacionados ao Projeto Peixe-Boi. Na soltura de Natália, várias crianças puderam participar e acompanhar o trabalho da equipe que tratou e libertou a fêmea.
“É preciso envolver essas crianças para que haja um processo de sensibilização e de envolvimento delas e de toda a comunidade. Elas entendem desde cedo a importância da preservação da espécie, entendem que é um animal dócil e que precisamos da participação delas para ajudar a salvar a espécie”.
O analista conta que o Projeto Peixe-Boi conta com parcerias para realizar a capacitação de professores que passam a atuar também com educação ambiental dentro da sala de aula.
“Já foram capacitados 40 professores em Porto de Pedras e 30 em São Miguel dos Milagres. As crianças que moram na zona rural estudam de perto sobre a importância do manguezal e todo esse trabalho tem dado resultado. É um envolvimento muito grande”.
José Ulisses explica que existe uma diferença entre o trabalho com as crianças e o trabalho com os adultos.
“Trabalhar com as crianças é um trabalho a longo prazo. Elas vão crescer conscientes. Já o trabalho com os adultos tem que ser realizado por meio de trocas. Orientamos os pescadores sobre a importância de conservar os corais e que isso irá atrair mais turistas, trazendo renda para a comunidade. Também sobre a preservação dos mangues, berçário de muitas espécies como o caranguejo e o camarão, importantes fontes de renda dos moradores da região”, explica.
Antes do Projeto chegar à região existia um conflito muito grande entre os pescadores e o peixe-boi.
“Porque os animais acabavam destruindo o material de trabalho deles, rasgando as redes, e por isso aconteciam muitos registros de agressões contra o bicho. A solução encontrada pela equipe do projeto foi negociar com os pescadores. Quando um peixe-boi rasgar uma rede de pesca ou danificar qualquer material de trabalho, eles acionam a nossa equipe, que registra a ocorrência e realiza o ressarcimento do material danificado. Isso acontece hoje depois de muito trabalho de informação nas colônias de pescadores”.
Para Ulisses, o trabalho de diálogo tem dado resultado mas, mesmo com todo esforço da equipe do Projeto Peixe-Boi, ainda existem conflitos entre pescadores e o mamífero aquático em municípios onde o Projeto ainda não realiza um trabalho tão intensivo.
‘Animais estão seguros na natureza’
O analista ambiental José Ulisses lembra que nas primeiras solturas de peixes-boi em que esteve presente, se sentiu preocupado com o que os animais iriam encontrar estando em liberdade.
Ele imaginava que os bichos poderiam ser agredidos pelos pescadores ou se ferirem ao se aproximarem de embarcações motorizadas, por exemplo.
Mas depois dos anos em que aliou sua experiência de professor com o trabalho de conscientização da comunidade, ele diz que pôde contar com a ajuda das crianças, dos moradores, dos turistas e dos pescadores para preservar o peixe-boi na natureza.
“Antes eu ficava tenso, preocupado com os problemas que os peixes-boi iriam encontrar lá fora. A gente se apega ao bicho e acaba criando um vínculo. Eu ficava pensando no perigo que eles corriam de encontrar com pescadores desinformados, o contato direto com a comunidade, com os turistas, o perigo de se deparar com embarcações motorizadas, com a prática de esportes náuticos e todas essas atividades humanas que nos enchem de preocupação”, conta Ulisses.
“Mas hoje eu me sinto mais tranquilo e feliz por saber que eles estão livres e seguros. O nosso trabalho de orientação tem dado resultado e contamos com muitos parceiros e informantes, pessoas que protegem o animal e que nos deixam muito felizes por participarem conosco do trabalho de preservação da espécie”.
Pescadores: Do conflito ao trabalho de preservação
José Ismar Lima de Carvalho começou a pescar aos 12 anos de idade, lá em meados de 1999 e 2000. Ele conta que já chegou a agredir um peixe-boi depois que o animal estragou sua rede de pesca, mas que hoje entende a importância da espécie.
“Eu participei de várias palestras e então passei a entender a importância do peixe-boi na natureza. Hoje, se o Projeto precisar, eu trabalho como voluntário para ajudar a preservar o animal”.
O pescador é vice-presidente da Associação Peixe-Boi, formada por pescadores da região que hoje ganham a vida realizando passeios de jangada para mostrar o animal e falar da importância da sua preservação para os visitantes.
“Eu troquei a pesca pelo passeio de jangada em 2008. Cerca de 50 famílias ganham a vida com os passeios e com o artesanato feito geralmente pelas mulheres dos pescadores. Hoje eu vivo para passar para os turistas a importância da preservação do peixe-boi. Falo do comportamento dócil e do quanto é importante não se aproximar e nem alimentar o animal. Apenas observar e fotografar, caso contrário ele pode ficar dependente do homem e estar sempre se aproximando da orla, podendo encalhar. Além do mais, o bicho é inocente e pode acabar tentando se aproximar de pessoas ruins, que podem machucá-lo”.
Para José Ismar toda a comunidade de Tatuamunha – onde está localizado o recinto do Projeto Peixe-Boi em Porto de Pedras – está totalmente consciente em relação à preservação do animal.
“Os pescadores trabalham em conjunto com o Projeto. Eles avisam onde avistam os animais e entenderam que aquele território é do bicho e que não devem machucá-lo. Todos temos consciência de que a população de peixe-boi é pequena e que precisamos preservar o animal”.
REGRAS
José Ismar explica que existem regras estabelecidas pelo ICMBio e Ministérios Público Estadual e Federal em relação aos passeios realizados pela Associação Peixe-Boi.
“Desde o ano de 2008 que foram criadas regras para a prática dos passeios de jangada no Rio Tatuamunha, onde vivem alguns peixes-boi que foram reintroduzidos na natureza. Como haviam conflitos entre os pescadores que praticavam a atividade, os órgãos competentes definiram que 20 guias seriam capacitados para realizar os passeios, num rodízio de 10 em 10 por horário”, explica.
O pescador conta ainda que somente 70 pessoas podem realizar o passeio por dia entre as 10h e as 17h, pontualmente.
“Desde 2009 que começamos a construir nossa própria sede e hoje temos guias credenciados e seguindo todas as regras estabelecidas. Entre os profissionais que atuam na Associação estão os guias e os remadores. Os sócios pagam uma taxa de 35 reais por mês e são convidados a atuar com a produção de artesanatos como as pelúcias dos peixes-boi, sabonetes, camisas e bolsas. A Associação é a fonte de renda de muitas famílias”.
‘O Peixe-Boi trouxe prosperidade para a comunidade’
O guia turístico e artesão José Cláudio deixou a criação de porcos para se dedicar ao trabalho de conscientização voltado ao peixe-boi marinho.
“Eu moro em Porto de Pedras há 26 anos e desde que comecei a trabalhar como guia que levo as pessoas para conhecerem o Projeto Peixe-Boi. A maioria dos turistas que vêm para a cidade pergunta pelo bicho”, relata.
Para José Cláudio, o peixe-boi fez com que outros atrativos da cidade também ganhassem mais destaque.
“As pessoas que vêm para a cidade conhecer o animal também acabam levando com elas a história da cidade e visitam nossas praias, piscinas naturais e restaurantes. O Projeto tem ajudado muito na economia local”.
José Ismar, vice-presidente da Associação Peixe-Boi, lembra que antes da chegada do Projeto Peixe-Boi na região, a cidade de Porto de Pedras tinha como fonte de renda apenas a pesca, o coco e a cana-de-açúcar.
“Com a chegada do peixe-boi na região muitos empresários passaram a investir em pousadas, hotéis e passeios de jangada. Todo esse crescimento de Porto de Pedras e das cidades vizinhas vem do Projeto, desse processo de conscientização para a preservação da espécie, que atraiu mais turistas e pesquisadores. Agora somos conhecidos em todo o mundo como a cidade que tem a quinta praia mais bonita do Brasil, a Praia do Patacho. Talvez a cidade não fosse tão divulgada sem a chegada do Aldo, o primeiro peixe-boi a viver no cativeiro de Tatuamunha”.
Astro e Lua foram os primeiros animais reabilitados pelo Projeto Peixe-Boi em Alagoas
O Projeto Peixe-Boi Marinho em Alagoas reintroduziu os primeiros animais de volta à natureza em 12 de outubro de 1994. O “casal” Astro e Lua ganhou a liberdade nas águas do mar de Paripueira e começava ali a história de luta pela conservação de uma das espécies mais ameaçadas de extinção no Brasil. Durante os mais de 20 anos de existência em nosso estado, a equipe do Programa de Manejo – desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), órgão ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – tem se engajado e alcançado grandes resultados com o trabalho de reabilitação, devolvendo os animais ao seu ambiente natural e recolonizando as áreas já ocupadas pela espécie no passado.
Texto: Thayanne Magalhães
Fotos: Sandro Lima

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Salvem nossos cardiopatas!

Hoje decidi duas das várias reportagens que venho escrevendo desde o ano passado em relação ao "não" serviço de cardiopediatria na rede pública e privada de Saúde em Alagoas.

O menino das postagens abaixo, o Juliano conseguiu a transferência para um hospital especializado fora do estado depois de muita luta e intervenção da Justiça, mas, como a espera foi muito grande, ele não resistiu à doença.

De boa vontade, o poder público não consegue uma transferência, nem nos casos mais urgentes. É sempre uma luta da Defensoria Pública e entidades sociais que se engajam em socorrer essas crianças.

Estamos em fevereiro de 2015 e novos casos surgiram, o problema tem sido mais divulgado, mas Estado e Município de Maceió continuam descumprindo a ordem judicial de disponibilizar pelo menos uma equipe médica especializada para cuidar dessas crianças ou criar um convênio com um hospital mais próximo, em Recife, por exemplo, onde haja tratamento

Quantos outros bebês perderão a chance de viver por conta da falta de tratamento especializado? Quantas mães irão perder seus filhos? Meu Deus, que dor terrível deve ser a de ver seu filho indo embora e não poder fazer nada. Que impotência! Que sofrimento sem fim!

E diante de todo esse cenário dramático, eis que a indiferença dos governantes com a VIDA HUMANA impera. Com a vida dos filhos dos outros, porque os deles têm condições de se tratar nos melhores hospitais fora do estado ou até fora do país.

Chega de indiferença! Chega de desordem! Se a Justiça não tem a última palavra, quem terá? Salvem nossas crianças cardiopatas!



Falta de cardiopediatra na rede pública descumpre ordem judicial de 2012

Autor da Ação Civil Pública, o defensor público Ricardo Melro, critica a falta de pulso do judiciário alagoano

A falta de tratamento para os recém-nascidos cardiopatas na rede pública de saúde em Alagoas descumpre decisão da Ação Civil Pública de autoria do defensor público e coordenador do Núcleo de Direitos Humanos, Difusos e Coletivos da Defensoria Pública, Ricardo Melro. “Desde fevereiro de 2012 que o Estado e o Município estão descumprindo a ordem. A partir do dia 17 daquele mês, foram dados 90 dias para que houvesse serviço de cardiopediatria em toda a rede pública de saúde e cinco dias para a transferência dos pacientes que já aguardavam tratamento, para local especializado fora do estado”, explicou o defensor.

Ricardo Melro critica o judiciário Alagoano e cobra medidas mais enérgicas para que as ordens judiciais sejam cumpridas pelos governantes. “O judiciário é a autoridade maior, e quando perde essa autoridade, ele deixa de dar ordens para dar apenas conselhos. Estado e Município estão descumprindo uma ordem judicial e isso é desmoralizar a autoridade do juiz. Já encaminhei solicitações exigindo providências, mas, as crianças continuam morrendo por falta de atendimento”.

O defensor se disse indignado ao saber através da imprensa do caso de Juliano dos Santos, de apenas dois meses, que espera por uma cirurgia enquanto fica internado na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do Hospital Universitário (HU), em Maceió. “Pela ordem judicial, que vem sendo descumprida desde 2012, Juliano já deveria ter sido transferido para um hospital especializado fora do estado. Mas a Ação vai além, ela ultrapassa o interesse individual e atinge toda a sociedade, por isso que o serviço de cardiopediatria deve ser instalado em Alagoas e, enquanto não ocorre, o Estado e o Município devem encaminhar os pacientes para outros locais onde possam tratar dos seus problemas de saúde”, explicou.

Juliano sofre de Sopro Cardíaco e se alimenta por uma sonda. Enquanto estado e Município não cumprem a ordem da Justiça, uma corrente foi criada em uma rede social para que o menino consiga a cirurgia e sobreviva ao problema de saúde. “Passo os dias no hospital, pedindo a Deus que salve meu filho”, desabafa a mãe do menino, Alessandra Maria dos Santos, de 26 anos, moradora da zona rural de União dos Palmares.

O caso foi encaminhado para a 28ª Vara da Infância e Juventude, depois de passar pelo Ministério Público do Estado (MPE) e Defensoria Pública. O juiz responsável, Ney Alcântara, ainda analisa o caso e disse que deve determinar o bloqueio da conta única do Estado caso seja constatada a urgência da cirurgia de Juliano. “Também vou analisar a Ação do defensor Ricardo Nelro e tomar medidas para que as ordens judicias sejam cumpridas e os pacientes tenham o atendimento necessário na rede pública de saúde”.

Somente no ano passado, oito recém-nascidos com problemas no coração morreram por falta de tratamento adequado na rede pública de saúde em Alagoas.

“Nosso maior medo é que Juliano receba alta do hospital sem conseguir a cirurgia. Se já é difícil para a gente conseguir ajudar, indo atrás das autoridades, imagine para a mãe, que mora na zona rural e não tem nem um celular”, disse a pediatra Fabiana Bastos, que cuida de Juliano.

A médica esteve no MPE e foi orientada a procurar a Defensoria Pública. “O MP encaminhou Juliano para o único cardiologista pediátrico do Estado, o doutor Alfredo Rosa, e ele achou melhor encaminhar o bebê para o TDF (Tratamento Fora de Domicílio) já que em Alagoas não existe tratamento para o recém-nascido”.

O cardiologista pediátrico, Alfredo Alcântara, explicou que deu seu parecer no dia 22 de maio de 2014, quando Juliano tinha 19 dias de nascido, e que hoje não pode dizer qual o estado de saúde do bebê. “O caso não era dos mais graves e se ele está internado com estado de saúde estável, isso é bom, porque está crescendo e tendo melhores condições para ser operado”, explicou o médico.

Enquanto Juliano aguarda pelo seu tratamento em local especializado, o jornal Tribuna Independente continuará acompanhando o caso e cobrando dos órgãos responsáveis a transferência do recém-nascido para um hospital com equipe médica que possa salvar sua vida. E pensemos: o que é prioridade para os governantes se na Saúde, Educação e Segurança, Alagoas sempre aparece com os piores índices?

Ney Alcantara: despachei uma ação questão de uma cirurgia

Do Ministério Público Estadual (MPE), para a Defensoria Pública. Da Defensoria Pública, o caso do pequeno Juliano, de apenas dois meses, agora está nas mãos do juiz Ney Alcântara da 28ª Vara da Infância e Juventude. O bebê sobre de Sopro Cardíaco e precisa de uma cirurgia para sobreviver, mas o tratamento não pode ser feito na rede pública de saúde de Alagoas. “Amanhã de manhã estudarei a documentação e, caso seja constatada a urgência, determinarei pelo bloqueio da conta única do Estado até que o paciente seja transferido para um hospital especializado e a cirurgia seja realizado”, afirmou Ney Alcântara.

O juiz explicou que em casos como o de Juliano, se o Estado não age espontaneamente, a Justiça determina que as contas sejam bloqueadas até que os custos para o tratamento sejam garantidos. 

Thayanne Magalhães para Tribuna Independente em Julho de 2014

Criança com cardiopatia em Alagoas está fadada a morrer

Afirmação é de médica visitadora da Unidade Neonatal do Hospital Universitário (HU); só no em 2013 foram registrados oito óbitos

Em pauta a obrigatoriedade do Teste do Coraçãozinho nos hospitais públicos de todo o país, determinada pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União desde junho passado. Mas, o que a equipe de reportagem do jornal Tribuna Independente descobriu vai além da falta de médicos capacitados e equipamentos para a realização do teste nas maternidades públicas de Alagoas. “A criança com cardiopatia em Alagoas está fadada a morrer. Se não houver uma intervenção do Ministério Público para ‘obrigar’ que o recém-nascido seja tratado em algum hospital particular, ele certamente vai morrer na fila de espera. Somente no ano passado, foram registrados oito óbitos de crianças diagnosticadas com problemas cardíacos”, afirma a médica visitadora da Unidade Neonatal do Hospital Universitário (HU), Ana Maria.

A pediatra afirma ainda que o problema não está somente em Alagoas. Segundo Ana Maria, crianças de todo o país aguardam Tratamento Fora do Domicílio (TFD), mas a falta de leitos para a realização das cirurgias ou transplantes culmina na morte de muitos pacientes.

O HU deve realizar concurso público no próximo semestre e, de acordo com a médica, haverá uma vaga para cardiologista infantil. “A questão não é a realização do teste do coraçãozinho. Alguns hospitais públicos têm o equipamento necessário. O problema é que, se for detectado algum problema cardiológico no recém-nascido, ele não terá como passar pelo ecocardiograma, porque não existe o equipamento para a realização desse exame em bebês em todos os hospitais”, explicou.

Em contato com o cardiologista Wanderley Neto, descobrimos que a situação é ainda pior do que se imaginava. “Os hospitais não querem investir em cardiologia pediátrica. Não temos profissionais capacitados, nem estrutura para atender pacientes na área. As crianças e os idosos são quem mais sofrem com essa situação”, afirmou o médico.

“O Ministério da Saúde diz que se não houver atendimento onde estiver o paciente, que ele seja encaminhado para outro hospital. Mas a fila é muito grande. Não temos leitos, enfermarias e nem UTIs pediátricas para atender a demanda de pacientes”, concluiu o médico.

Para o doutor Ricardo César Cavalcanti, diretor médico do Hospital do Coração, a obrigatoriedade do Coraçãozinho pode contribuir consideravelmente para a redução da taxa de mortalidade neonatal. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 30% e 40% dos bebês que têm problemas cardíacos graves, recebem alta das maternidades sem o diagnóstico. Uma em cada mil crianças sofre de cardiopatia congênita crítica, problema que responde por cerca de 10% dos óbitos infantis e de 20% a 40% dos óbitos decorrentes de malformações.

“O procedimento é simples, rápido e indolor, mas, por ser ainda uma tecnologia nova, leva um tempo até que os profissionais absorvam e incorporem à rotina. É preciso que a sociedade tome conhecimento do exame para que as pacientes cobrem dos seus médicos a realização do teste em seus bebês ainda na sala de parto”, afirmou o cardiologista.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), “os técnicos da saúde ainda vão passar por capacitação e os hospitais ainda irão receber os equipamentos necessários para a realização do exame”. Já a assessoria de comunicação da Maternidade Escola Santa Mônica, informou que o equipamento existe em algumas maternidades públicas, porém, a prática não é tão comum. “Os recém-nascidos podem realizar esse exame ainda no leito, junto da mãe. Esse teste pode identificar problemas cardíacos que podem vir à tona ainda no primeiro mês de nascimento, no entanto, não existe equipamento suficiente para todas as unidades públicas de saúde. Apesar da obrigatoriedade do Ministério da Saúde, é preciso analisar a estrutura e as condições dos hospitais públicos, e isso pode levar um tempo”, explicou a assessoria.

Ainda não há previsão de quando o teste se tornará obrigatório nas maternidades públicas de Alagoas.

“Já estivemos reunidos com a Sesau e o Estado já começou a se articular junto com o Município para que o exame comece a ser realizado nas maternidades públicas”, informou a coordenadora do Programa da Saúde da Criança da Capital, Alda Tenório. Segundo ela, independente de ser particular ou público, os hospitais serão cobrados para que se comece a ser feito o teste em todos os recém-nascidos o quanto antes.

“A portaria do Ministério da Saúde chega até nós e nós encaminhamos para todas as maternidades, independente de serem públicas ou particulares”, explicou.

Ainda de acordo com as informações de Alda, todos os médicos deverão passar por capacitação e todas as maternidades públicas devem receber os equipamentos necessários para a realização do teste. “Não deve demorar. Em pouco tempo o teste já estará sendo realizado em toda a rede pública e, as maternidades que já possuem os equipamentos, já devem realizar o exame em todos os recém-nascidos”, concluiu.

O que se espera, é que junto com o Teste do Coraçãozinho, as maternidades públicas tenham também estrutura para tratar dos recém-nascidos diagnosticados com problemas cardíacos. E que as mães dessas crianças não vivam a aflição de imaginar que seu filho está fadado à morte por nascer com alguma cardiopatia.

O que é o Teste do Coraçãozinho?

O exame de Oximetria de Pulso, mais conhecido como Teste do Pezinho, serve para detectar e prevenir problemas cardíacos em recém-nascidos, e consiste em medir a oxigenação do sangue e os batimentos cardíacos do bebê com o auxílio de um oxímetro – espécie de pulseirinha – instalado nos primeiros dias de nascimento no pulso e no pé.


Além do Teste do Coraçãozinho, outros dois exames fazem parte da triagem Neonatal, o da Orelhinha, que se tornou obrigatório em 2010 e deve ser feito prioritariamente durante o primeiro mês de nascimento. O teste do Pezinho, também obrigatório na rede pública, é um exame feito a partir de sangue coletado do calcanhar do bebê. O procedimento permite que se identifique doenças graves e deve ser feito a partir de 48 horas do nascimento até os 30 dias. Outro teste recomendado pelos pediatras é o Teste do Olhinho, que ainda não é obrigatório na rede pública de saúde. Ele deve ser realizado nas primeiras 24 horas de nascimento do bebê.

Thayanne Magalhães para Tribuna Independente em Julho de 2014.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Trintando!

Desde a adolescência que eu ficava me imaginando aos 30 anos. Planejava já estar financeiramente estabilizada, por isso nunca parei de estudar e trabalhar – exceto por cerca de dois anos, aqueles que a gente precisa errar bem muito para entender o que NÃO queremos da vida. Mas que também nos fazem dar risada de como nos divertíamos com tão pouco.

Me imaginava dirigindo meu carro – é, para a minha realidade era algo ainda bem distante – e levando adiante a minha carreira profissional.

Mas, o meu maior desejo sempre foi ser mãe. Eu sempre dizia que até os 30 já queria ter o meu primeiro filho.

Bom, parece que estou indo bem. Não que a vida tenha sido sistemática e eu fiz tudo programado. Nada disso. Até chegar aqui – ainda sem a tal estabilidade financeira – eu vivi cada fase intensamente. Eu fui uma adolescente sem “rédeas”. Meus vinte e poucos foram de tantas descobertas, viagens, pessoas... Morei em tanta casa que nem me lembro mais! (Parafraseando Renato)

Até que finalmente estava no meu próprio apartamento alugado. Independente. Sem hora para chegar e comendo o que queria – uma época trabalhei no shopping e não podia comer na praça de alimentação. Sempre lanchava naquelas barracas do lado de fora, era mais em conta. Eu pensava que logo, logo poderia escolher onde quisesse comer. Pois é, pequenos sonhos que hoje eu agradeço por poder realizá-los ao menos na primeira semana após receber o salário de jornalista! (risos)

Como ia dizendo e meio que me perdi. Não vivi sistematicamente. Sempre deixei a vida seguir seu curso. Nada de rotina. Eu sabia que um dia teria que sossegar, ser mãe e cuidar da família. Aqui estou. Prestes a completar 30 anos.

Casei na igreja, o que também me foi um sonho... Para mim significava que a vida recomeçava a partir dali. Era a fase mais importante da minha vida que se iniciava, e não um "evento social". Encontrei alguém para seguir a vida ao lado. Como todo ser humano, temos defeitos, passamos por dificuldades, mas não soltamos as mãos quando precisamos um do outro.

Meu filho é a coisa mais importante da minha vida. É o amor em forma de gente e eu sinto tanto orgulho de poder lhe dar tudo o que precisa, principalmente presença, carinho, atenção... Principalmente por, apesar de ser uma mulher adulta - é o que dizem -, a minha criança está aqui, bem viva, para sentar com ele na areia da praia, construir castelos e piscinas nos fins de tarde dos nossos finais de semana – todos especiais. Todos para se comemorar. Todos para ele.

Bem vinda idade nova. Bem vindos 30 anos! Que bom que conseguimos um bocado de coisa que planejamos, né?

É incrível como gosto mais do meu corpo agora. Do meu cabelo. Do meu jeito de vestir. É incrível como eu amo mais a minha vida hoje do que ontem. Como prezo cada amigo que me acompanhou até aqui e agradeço aos que se afastaram. Esses certamente não somariam.

Obrigada, a quem eu vivo cada dia querendo orgulhar. Obrigada a quem sempre confortou meu coração com um amor crescente. Obrigada a Deus! A quem prometi buscar ser uma pessoa melhor a cada dia. A quem só quer me ver bem para ser feliz também!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A vida num filme


Ontem assisti um filme chamado “Quando Um Homem Ama Uma Mulher”. Em resumo, trata-se de um casal apaixonado, com duas filhas pequenas – uma do primeiro casamento da mulher, mas criada como filha do atual marido, apaixonado pela família.

Ele é piloto de avião e viaja muito. Ela se sente sozinha e acaba bebendo para se distrair.

No início da relação dos dois, eles se divertiam muito saindo para beber, em festas, bares. Com as responsabilidades aumentando, com a distância cotidiana das viagens, ela foi se afogando no alcoolismo. Ele queria ajudar, mas ela estava tão envergonhada que não sabia como agir. O atacava.

Ele não sabia o que fazer. A tratava como se fosse de vidro, queria fazer tudo por ela. Mas ela só se irritava e o atacava. Ela passou um tempo numa clínica de recuperação e se tornou amiga de pessoas que passava o mesmo que ela. E era com eles que ela conversava e desabafava. O seu marido sofria com a indiferença. Ele queria ser o amigo dela. Ele queria ser o apoio dela. Mas ela se sentia muito culpada para deixar que ele se aproximasse. E o atacava.

Então um dia, depois que ela disse que não aguentava mais a “vida doméstica”, ele saiu de casa. Ela então voltou a sorrir e tentou se perdoar. Ela o queria de volta, ela o queria do lado dela, ela queria implorar para que ele a perdoasse. Mas ela não conseguia. Sentia muita raiva e dizia que ele, a tratando como tratava, sempre tentando ajudar e fazer tudo por ela, a fazia se sentir inútil, fraca... “Mas ninguém faz você se sentir assim. É você quem sente. Enquanto eu não me perdoar, eu não vou conseguir dar a minha família o amor que ela merece”, ela disse.

Após quatro meses, eles se reencontraram. E, não existe uma fórmula para que o casamento dê certo. Eles precisam se aceitar.

O marido finalmente entendeu que estava sentindo pena de si próprio. Ele sabia que não merecia ser tratado daquela forma, que fez de tudo para estar do lado dela, e ela só o maltratava. Ele precisou ficar longe para entender, que ele não era a vítima, mas sim a mulher. Era vítima do álcool. Todo aquele sofrimento trouxe amadurecimento. Ela tinha medo de não ser mais a “garota divertida” das noites nos bares, mas ele só queria estar do lado dela e das filhas. E todos os dias seria um dia de aprendizado e aceitação.

A vida muda as pessoas. É preciso adaptar-se e entender que não existem culpados. As pessoas sofrem e elas precisam encontrar a cura. Nem sempre podemos ajudar como gostaríamos. Então não devemos insistir em ajudá-las se estão cegas pelos problemas (vícios). Apenas viver um dia de cada vez. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sim. Eu quero mudar o mundo!

Todo mundo sabe que o jornalista não tem a liberdade que gostaria para escrever sobre o que acredita ser o certo. Muitos de nós somos censurados nos veículos de comunicação por interesses políticos e/ou econômicos.

Alguns dos meus trabalhos acabam sendo "execrados", pela falta de "independência" dos veículos de comunicação, então, cá estou com uma denúncia grave que mostra a irresponsabilidade do Governo do Estado de Alagoas em relação à Educação das nossas crianças.

Essa é minha primeira "malcriação". Vamos juntos, ser a voz dos excluídos! Mandem suas denúncias!

Lembremos: Educação é a base de tudo!

Servidores de escola estadual denunciam sobrecarga de trabalho

De acordo com servidores da Escola Estadual Rotary, falta professor, merendeira e até serviços gerais

Os servidores da Escola Estadual Rotary estão sobrecarregados.  De acordo com Marcílio Tavares, que há dois anos atua como vigia na instituição de ensino, os funcionários precisam acumular funções porque o Estado não faz as contratações necessárias para dar conta da demanda da escola.

“Eu passei no concurso para vigia, mas trabalho como porteiro, recolho o lixo e corto a grama.  Falta pessoal para os serviços gerais, agente administrativo e no serviços diversos só tem uma servidora que vai se aposentar”, denuncia.

A escola, que fica localizada na Avenida Durval de Góes Monteiro, no bairro do Tabuleiro, em Maceió, também tem carência de merendeiras e até professores, segundo afirmam os funcionários.

“De manhã só tem uma merendeira para atender mais de 450 alunos. Ela acaba não seguindo o cardápio recomendado pela nutricionista porque não dá para fazer tudo sozinha. As crianças acabam comendo só biscoitos e achocolatado”, afirma o vigia.

Marcílio afirma que de dois anos para cá a situação só tem piorado.

“Esse ano a escola já foi arrombada duas vezes. Aqui tem vigia trabalhando a noite, mas desarmado não adianta. O muro é baixo e os criminosos veem a facilidade de invadir e entram para roubar. Já levaram os computadores da sala de administração duas vezes”.

O vigia afirma que já foi solicitado ao Estado a contratação de vigilância armada.

Informações desencontradas

Segundo Marcílio Tavares, na 14ª Coordenadoria Regional de Educação (Crea), responsável pela área do Tabuleiro, consta que o quadro de funcionários da Escola Estadual Rotary está completo.
“Tem servidor que se afasta por indicação médica, por exemplo, e consta no Crea que estão trabalhando normalmente. O Estado precisa enviar mais servidores para esta essa escola e precisamos também de pessoal de apoio para quando alguém precisar se ausentar.

Alessandro Rodriguez trabalha como vigia pela manhã, mas na tarde de ontem (29) estava dando apoio aos colegas de trabalho.



“Até para cortar a grama nós tiramos do dinheiro arrecadado da escola com outdoors. Basta olhar o quintal da escola, a quadra de esportes para perceber que a Rotary está abandonada. As crianças ficam expostas a cobras, ratos, mosquitos. O terreno cheio de mato fica do lado da sala de aula e nós nos preocupamos. Fazemos o trabalho que é obrigação do Estado”, relata.

“Os alunos praticam esportes debaixo de sol e se chover não tem a aula de educação física. Precisa, além de mais funcionários, melhorar a estrutura da escola”, concluiu Alessandro.

Ano letivo é prejudicado por falta de professores

A mãe de uma aluna que preferiu não se identificar, denunciou ao blog que o segundo semestre começou sem professor de Matemática para uma turma do 6º Ano da escola.

“Minha filha está sendo prejudicada. Como é que ela vai concluir o ano sem ter professor de Matemática?”, reclama a mãe.

A diretora-adjunta da escola, Severina Alves dos Santos, diz que os problemas não são novidade.

“O ano passado inteiro ficamos sem professor de Arte. Decidimos então  realizar um curso de férias e os professores que já tinham concluído o ano em outras escolas, vieram dar as aulas para os nossos alunos concluírem a disciplina em quinze dias. Mas com Matemática fica mais complicado. Não dá para aprender tudo nesse mesmo período”, explicou.

Severina confirma a falta de professor de Matemática e afirma já ter acionada a Secretaria de Estado da Educação (SEE) exigindo providências.

“O Estado sabe da nossa situação mas não nos dar prazos para a resolução dos problemas. Nossos alunos acabam tendo dificuldade de aprendizagem por conta de tantos problemas, sem saber quando terão professor para dar aula”, reclama.

Outra dificuldade passada pela escola é a falta de interprete de línguas.

“Temos cerca de 100 alunos especiais e não contamos com nenhum interprete. O Estado diz que até dezembro deve fazer concurso, mas até lá contamos apenas com auxiliar de sala. Não temos nem uma sala de recursos para trabalhar com essas crianças e adolescentes deficientes”.


O blog tentou contato com a assessoria de comunicação da SEE falar sobre as denúncias, mas ninguém atendeu o telefone. 

Fotos: Sandro Lima

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O casamento

Este artigo diz respeito a como as pessoas têm visto o casamento com tanto pessimismo. Percebo em filmes e postagens de redes sociais o quanto homens e mulheres estão desencantados com a ideia de formar uma família. Uma pena... Porque por mais que digam que "curtir a vida" é o melhor caminho, viver "livre" e sozinho é a verdadeira felicidade, eu, como quem já se divertiu um bocado, quero que alguém me diga que nunca sentiu um vazio terrível no dia "pós-farra". Sem ter um ombro pra deitar, uma companhia para ver um filme em casa, comendo pipoca e trocando carinhos. Alguém com quem você possa fazer sexo quando der vontade. Não? Duvido!

O casamento é um compromisso muito sério, e no meu ponto de vista, as pessoas estão é com medo de não serem aquilo que o outro espera e desistem muito fácil. Mas a fórmula para dar certo é bem simples: seja para o outro o que você gostaria que ele fosse para você. Sem expectativas, sem cobranças, apenas acorde de manhã e dê um beijo de bom dia. Não adianta começar uma vida ao lado de alguém com o pensamento clichê de hoje em dia: se não der certo, acaba. Não! Não desista! O amor não pode acabar assim, por conta de um dia ruim. 

É claro que como qualquer outro relacionamento, o casamento tem seus altos e baixos. Mas então, você prefere dar ouvidos ao ego e ao orgulho e jogar tudo fora? Ou se apega ao que te fez dizer "sim" no altar? 

Costumo ouvir que fui precipitada. Casamos 9 meses depois de nos conhecermos pessoalmente e eu já estava grávida de 5 meses. Pois bem, chegamos à conclusão que foi a melhor precipitação de todos os tempos. São dois anos e pouco desde o primeiro encontro, e já fomos do céu ao inferno. Se conhecer convivendo é muito intenso! MUITO! Mas a gente sabia que nunca tinha sentido aquilo por ninguém, aquele amor, aquela vontade de sermos três! A gente sabia que ia passar por dificuldades e que ia ser difícil largar de uma vez a rotina para começar uma vida nova, com outras prioridades. Costumo sempre repetir: fomos o saco de pancadas um do outro, e o apoio também!

Então, se você pensa em casar com a pessoa que você ama, não pense muito, não! Nem deixe muita gente interferir ou dar palpites. Case-se! É legal sim! Você tem a melhor companhia do mundo para fazer o que gosta e para ficar sem fazer nada. A melhor companhia do mundo para criar seus filhos e se veem neles, nas características e personalidades. É tudo muito bom! Mas case-se com vontade de ser para o outro o que você queria que ele fosse pra você. Case-se para fazer o outro feliz! Não tem a ver com submissão, tem a ver com não desistir do amor! O amor vale a pena... Ser vivido, recomeçado mil vezes se for preciso!  

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Entre sonhos realizados e angústias, 2013 passou...

(Mais um destes textos de diário)... Vou falar um pouco de 2013, mas sem deixar passar uns pedaços de 2012, como setembro, por exemplo, quando tive certeza que estava grávida nos meados de meu aniversário. Dali pra frente tudo mudaria. Vida nova! Uma vida que vinha e a minha que mudaria para sempre! Casamento já estava planejado, então nós seguimos adiante, felizes e cheios de planos.

Aí, o pessoal do meu antigo emprego achou que era um momento propício para me abandonar. Pararam de me pagar em dia, de pagar todo o meu salário, de me pagar. Não me deram nem seguro maternidade. Infelizmente dinheiro faz parte de qualquer plano, e fazia parte do nosso planejamento familiar. Mas... No meio dos sonhos vieram as angústias. Nosso casamento em janeiro de 2013 quase não poderia ser realizado, mas rolou sim, e foi lindo e festejado demais! Tantas pessoas queridas! Nosso filho nasceu... Descobrimos um amor sublime. E ele só mamou até os seis meses, por isso não nos preocupamos com esses leites caros, graças a Deus! Também ganhamos muitas fraldas no nosso "almoço de fraldas". Por isso seguimos, felizes... Em meio a angústias, contas a pagar, casa para manter... mas contudo, era um sonho.

Em meio àquela falta de respeito, decidi não trabalhar mais ali. Onde me trataram com tamanha desumanidade. Meio sem saber o que viria, continuei no meu sonho. Meu filho é tão lindo, tão saudável. Fui mãe em tempo integral e nada me fez tão feliz e realizada nessa vida! Meu marido é tão gentil. Mas em meio aos sonhos, estavam as angústias. Nos estressamos, fomos saco de pancada um do outro. Mas continuamos seguindo. Sonhando. E logo voltei ao mercado de trabalho, dessa vez como assessora de imprensa. Cargo providencial. Num momento em que fui bem solicitada e me senti feliz por estar ajudando meus colegas com a minha atuação.

Antes de acabar 2013, ano de sonhos lindos - mas de contas atrasadas e uma angústia tão ruim por ser tratada como fui - os bons ventos chegaram. Antes mesmo de acabar o ano, já estávamos nos reerguendo - falo financeiramente, porque no mais, sempre foi um sonho, nós três, nossa casa... nós. Começo 2014 com um novo desafio, prestes a ser iniciado. Últimos ajustes e logo estarei de volta à tão querida redação. Prevaleceu a fé e o otimismo. As contas foram pagas, nossa casa está cada vez mais linda e temos nosso carro. Quem me deve, pagará - falo de dinheiro, novamente. Mágoa não guardo. Agradeço e sigo em frente. Nada que passei foi em vão, tudo na vida é uma grande lição. 2013 foi um sonho, um sonho lindo. E ainda tão recente, o lembro com um riso sereno, com um pensamento que diz: eu sabia que passaria logo! Obrigada por mais essa lição! E chegou 2014, energizado com banho de cachoeira da Chapada Diamantina! Vamos nessa!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Existem mães que não merecem ser chamadas assim

Olá! Hoje recebi mais um email falando sobre casos de mães que não se comportam como tal. Há uns anos escrevi sobre o assunto e compartilhei meu problema aqui com vocês. O tempo passou, eu me afastei daquilo que me fazia mal e que eu não poderia mudar: o sentimento de ódio da pessoa que me gerou e me pôs no mundo. Algo que hoje pra mim se tornou ainda mais inexplicável. Agora, no papel de mãe, e sentindo um amor que transborda meu coração e minha alma, entendo menos ainda como alguém pode alimentar um sentimento ruim por um filho.

A minha conclusão, ou pelo menos a atual conclusão, é de que essas mães têm um sentimento de egocentrismo tão grande que é impossível para elas sentir amor por mais alguém, senão por elas mesmas. Ou algumas podem ter sofrido de depressão pós-parto e não conseguiram se curar... Enfim. O que eu quero dizer para você, que me escreve contando a sua história e se vê assustado e sem entender o porquê de sua mãe não demonstrar amor ou demonstrar ódio por você, é que a culpa não é sua. Você não tem nenhum problema ou defeito e, mesmo se tivesse, uma mãe com o mínimo de sentimento materno iria te amar além de tudo e com todas as forças seja qual fosse seu defeito ou problema.

Portanto, desapegue-se! Eu sei que não é fácil. A gente quer porque quer que a nossa mãe nos ame, afinal ela nos deu a vida. Pela lógica ela deveria estar muito, mas muito feliz com a nossa chegada. Mas isso não é uma regra, meu querido, minha querida. Não se sinta infeliz. Olhe ao seu redor e veja quanta gente te ama e te quer sorrindo. Apegue-se a elas, a quem te ama. Seja forte, siga sua vida. Pessoas perdem suas mães, seus pais ainda crianças, outras são abandonadas e sequer as conhecem. Cada um tem sua história e suas provações. Vença! Não é fácil, eu sei! Minha adolescência foi difícil, mas um dia eu olhei ao meu redor e parei de me sentir rejeitada, porque eu vi quantas pessoas estavam dispostas a me fazer bem, quantas pessoas me amavam exatamente como eu sou, e, por me aceitar e perceber que a culpa daquele sentimento ruim que minha genitora alimentava por mim não era minha, eu me libertei completamente.

Não desejo mal pra ela. Ainda hoje ouço dizer que ela fala mal de mim, dos meus, mas quem me importa, quem me ama e está do meu lado nos bons e maus momentos, estes sabem quem eu sou e é por eles que eu sigo em frente e feliz.

Estarei sempre aqui para ouvir/ler vocês, que passam por situações parecidas. Não desanimem! O problema não é de vocês! Digo e repito: mães que não amam seus filhos, não são seres humanos normais. Até os animais protegem seus filhos contra tudo e contra todos! Sinta pena desses seres que conseguem essa façanha obscura e perversa e não de você mesmo. Se salve!

Abraço fraterno!