quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pensão para amantes : “querem destruir a instituição do casamento”

Um projeto de lei aprovado nesta quarta-feira (15) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal deve causar divergências entre a opinião pública. É que a lei permite que amantes tenham direito a pensão alimentícia e a partilha de bens, contanto que comprove estabilidade da união.

A proposta, que vale para homens e mulheres, diz que a união formada em desacordo aos impedimentos legais não exclui os deveres de assistência e a partilha de bens.

Para a autora intelectual da proposta, a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM), a lei atual é conivente com o homem que tem duas mulheres e, com o projeto, ele passa a se responsabilizar.

O Primeira Edição buscou a opinião dos dois lados. Mulheres e homens casados legalmente, e mulheres que sustentam um relacionamento com homens casados.

O representante de vendas, José Monte Neto, de 27 anos, não é favorável à nova lei. Para o jovem, casado há 2 anos, a aprovação dessa lei irá enfraquecer ainda mais a instituição familiar. “Isso é a desvalorização da família, que é o pai, a mãe e os filhos. Nenhuma dessas leis vai resolver nada. É preciso retomar a consciência de que o casamento, o matrimônio é uma instituição séria, que não pode ser denegrida. Esse tipo de lei só visa a destruição das famílias”, opinou Neto.

Para o jovem pai, a formação da sociedade nasce dentro da família, e é preciso dar exemplos às novas gerações. “Essa lei não vai fazer com que os homens pensem duas vezes antes de arrumar uma mulher fora do casamento e eu não acredito que a decisão de aprová-la seja positiva”.

Uma mulher, que não quis se identificar, falou ao Primeira Edição sobre seu relacionamento com um homem casado e deu sua opinião sobre a nova lei. “Começamos a nos relacionar há três meses. Nos conhecemos pelo MSN e eu já sabia que ele era casado, mas me encantei e acabei ficando com ele”, conta a amante.

Sobre a nove lei, a entrevistada disse que “como amante acho legal, mas se eu estivesse no lugar da esposa, com certeza não iria gostar”.

A amante disse que, apesar de gostar muito da pessoa com quem está tendo um caso, não se sente bem com a situação. “Eu me sinto mal pelo fato dele ser casado, mas, a gente não escolhe por quem vai se apaixonar. Além disso, ele me disse que o casamento dele está para terminar”, concluiu.

A auxiliar administrativa, Walmair Lima, de 28 anos, acha inaceitável o fato de ter que dividir os bens que ela e o marido construiram juntos, com uma amante. “Eu não sei se meu marido me trai, acredito quem não, mas, se um dia aparecer uma mulher dizendo que é amante dele e que quer parte do que eu trabalhei para construir junto com ele, vou ficar indignada”, enfatiza Walmair.

“Essa lei com certeza vai destruir cada vez a família. É inaceitável ter que dividir meus bens e do meu filho com uma estranha”, finalizou.

Thayanne Magalhães

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Promiscuidade: adolescentes também são culpados?

Na última quinta-feira (9), uma denúncia anônima levou as polícias Civil e Militar junto com o Conselho Tutelar de União dos Palmares, a uma ‘confraternização’ que acontecia em um bar na zona rural da cidade, onde supostamente seria leiloada a virgindade de uma adolescente entre 15 e 16 anos. O fato chamou a atenção das autoridades e da sociedade, e as organizadoras da festa, Tais da Silva Costa, 23 anos, e Gisela Oliveira dos Santos, 28, chegaram a ser presas.

O Primeira Edição entrou em contato com as autoridades do município envolvidas nas investigações do caso, e questionou quais medidas de prevenção são tomadas para evitar esse tipo de crime, tendo em vista que a realidade da maioria das cidades do interior do Estado mostra que muitos jovens e adolescentes, por não terem oportunidade para o desenvolvimento, acabam caindo na promiscuidade.

O conselheiro tutelar de União dos Palmares, Anderson Austregésimo, disse em entrevista ao Primeira Edição que o órgão trabalha com campanhas de aconselhamento para pais e menores, mas que o fato da cidade ser grande, com cerca de 63 mil habitantes, e possuir apenas um Conselho Tutelar, dificulta os trabalhos. “Sentimos dificuldade por não atingir um maior número de jovens, que por conta da desestrutura da família, evasão escolar, uso de drogas, acabam se desvirtuando”, disse o conselheiro.

“Nós trabalhamos com a parte da defesa dos direitos da criança e do adolescente, e temos ligação com as escolas do município para promover as campanhas, principalmente em dias de combate, como o 18 de maio, contra o abuso e a exploração de crianças e adolescentes, e essas são medidas de política pública, e é necessário trabalhar essas ações para orientar a sociedade”, conta.

Em relação às declarações dadas por uma das menores, que estaria se sentindo ameaçada pelas acusadas de promover a festa, que foram liberadas no último sábado (11), através de um alvará de soltura concedido pelo juiz Ygor Vieira de Figueiredo, o conselheiro disse que as adolescentes deverão ser ouvidas pelo juiz Bruno Acioly, já que a informação ainda não é oficial para os órgãos que investigam o caso. “Ainda não temos uma base sólida sobre essa informação passada pela menor. Mas é claro que diante das circunstâncias deve haver um medo por parte das vítimas. A notícia foi publicada ontem e hoje a polícia, o Conselho e a Justiça irão tomar as medidas de segurança”, afirmou Anderson.

O conselheiro disse que os trabalhos devem continuar e o envolvimento de mais pessoas neste caso está sendo investigado. “Cabe ao Conselho receber a denúncia e repassá-la para as autoridades responsáveis pelas investigações, polícias, juízes, Ministério Público, que investigam e prendem os envolvidos nos crimes”.

O delegado titular da cidade, Cícero Lima, passou a manhã trabalhando em outros casos e o Primeira Edição não conseguiu falar com ele.

A opinião dos jovens

O Primeira edição entrevistou algumas jovens que acabaram de passar pela fase da adolescência, para saber a opinião delas sobre o caso. Foi perguntado se elas acreditam que os adolescentes podem mesmo agir apenas por influência dos adultos para entrar na promiscuidade ou se por conta da desestrutura familiar e baixa renda, esse caminho seja inevitável.

A auxiliar administrativa, Andressa Araújo, de 22 anos, acredita que o fato do adolescente ser pobre, não ter uma base familiar, não é desculpa para partir para a promiscuidade. “Conheço muita filhinha de papai, em Maceió e no interior principalmente, que tem tudo, mas que só vivem em festas, bêbadas. Elas falsificam até a identidade para entrar em shows e boates. Não se deve só responsabilizar os adultos que estão com elas, porque elas estão lá porque querem na maioria das vezes”, opina a jovem.

Andressa acredita também que os pais deveriam prestar mais atenção nos seus filhos para evitar esse tipo de comportamento. “Acho que pai e mãe deveriam acompanhar a vida dos filhos, principalmente nessa idade. É claro que não dá para saber tudo o que eles fazem na rua, mas é preciso diálogo, regras. A boa educação começa dentro de casa, e acredito que é isso que falta para essas adolescentes, educação”.

A digitadora de programas sociais, Anne Karoline Soares, de 19 anos , é de Pão de Açúcar, e na opinião dela as adolescentes deveria ser tratadas pela Justiça também como culpadas. “É claro que o que aconteceu em União, de leiloar a virgindade, é uma falta de respeito com as meninas, mas elas também têm culpa, porque não foram para a festa obrigadas, acredito eu”, disse a jovem.

Sobre fato de serem pobres, ou por não terem uma base familiar sólida, Anne acha que isso não é desculpa para a má conduta. “Tem tanta gente sem pai e sem mão e se tornam grandes profissionais. Acho que esse caminho promíscuo é escolha própria, na maioria das vezes”.

A jovem disse ainda que a lei para adolescentes é injusta no Brasil. “A maior idade deveria ser dada aos 16 anos. Eles já podem até votar, escolher o futuro da nação, e porque não podem responder pelos seus atos, por crimes? A Justiça sempre passa a mão na cabeça”.

Diante das opiniões é possível julgar que a atual geração de adolescentes tem perdido muitos valores, entre eles a valorização da família. Diariamente podemos ver nas notícias as festas promovidas pelos jovens, envolvendo muitos adolescentes que usam drogas, fazem sexo sem responsabilidade e chamam isso de ‘viver a vida’. Nos sites de relacionamento também não é difícil encontrar fotos que retratam a banalização do corpo das meninas, a apologia ao uso excessivo de álcool.

Seria a hora de rever os deveres dos adolescentes, e não só seus direitos? Não defendendo o que se passou em União dos Palmares. A questão são os adolescentes que frequentam festas por conta própria, e não essas festas promovidas por adultos mal intencionados. A Justiça é mesmo eficaz nesses casos? É preciso prevenir, dar educação de qualidade e oportunidade para que esses jovens, principalmente do interior do Estado, possam seguir caminhos distantes da promiscuidade.

Thayanne Magalhães

CNE recomenda fim da reprovação: “Não reprovar torna a educação mais precária”

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretrizes curriculares para o ensino fundamental de nove anos e uma das determinações do órgão é que todos os alunos devem ser plenamente alfabetizados até os 8 anos de idade. O que está causando dúvidas e até mesmo preocupação para os pais é o fato de o CNE recomendar “fortemente” que as escolas não reprovem os alunos até o 3º ano dessa etapa.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, já homologou o parecer, que foi publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (14). No texto, o ministro diz que a orientação é muito clara: todas as crianças têm o direito de aprender e as escolas devem assegurar todos os meios para que o letramento ocorra até os 8 anos de idade. Não quer dizer que se defenda a aprovação automática.

O texto ressalta ainda que cada criança tem um ritmo diferente no processo de aprendizagem, que, por isso, deve ser contínuo.

O Primeira Edição foi buscar opiniões para saber o que a sociedade pensa sobre a nova recomendação.

A professora Maria Célia da Conceição conta que o método já é usado pelas escolas estaduais e municipais de Alagoas, e que a não reprovação diminui a qualidade de aprendizado e os alunos saem da escola despreparados para o vestibular. “O que o Estado o Município visam é a quantidade de alunos que saem do ensino médio, e não a qualidade. Com certeza essa recomendação de não reprovar os alunos com dificuldade de aprendizado só ajuda a tornar a educação mais precária”, afirma a educadora.

“A gente vê alunos que não têm condições de avançar para o ensino médio, mas temos que aprová-los por causa desse sistema, e isso está diminuindo a qualidade do ensino. O método tradicional com certeza é mais eficaz, basta comparar o nível de aprendizagem das gerações”, disse Célia.

A psicóloga Gabriela Medeiros acredita que se as escolas e os educadores tivessem a mesma visão e métodos de ensino, seria mais fácil avaliar onde está o problema nos alunos com dificuldade de aprendizado. “É realmente uma situação complicada o incentivo à não reprovação dos alunos, porque a criança e o adolescente precisam de estímulo para que possam se engajar nos estudos. Mas também tem que avaliar os dois lados. Reprovar é algo muito difícil, porque mexe com a auto estima da criança. Mesmo assim, só teria sentido aprovar um aluno com dificuldade se a escola avaliar também o emocional dessa criança ou adolescente, e o professor da série seguinte teria o cuidado de avaliar realmente o aprendiz e desenvolver estratégias para que ele possa superar as dificuldades anteriores e continuar avançando", disse.

“O que acontece na maioria das vezes, é o aluno mudar de escola quando é reprovado, e daí muda-se de pensamento, a técnica de ensino, a abordagem, a estrutura do professor. Portanto eu acredito que não se deve avaliar apenas a reprovação em si, mas tem que ver a criança e o adolescente como um todo”, opina a psicóloga especialista em crianças.

Para a assistente administrativa, Edylane Pereira, de 27 anos, mãe de duas crianças em idade escolar, uma no 6º ano e outra Jardim II, a recomendação do ministro não vai mudar muito a atual realidade das escolas. “Eu estudei em escola pública há uns dez anos, e lembro que os alunos passavam sem muito esforço, porque os professores não queriam ter dor de cabeça e passavam trabalho para casa no fim do ano e dava nota de prova. Se antes já era assim, imagine hoje em dia, ainda mais com essa recomendação do ministro?”.

Para Edylane, o problema não está só nas escolas públicas. “Nas escolas privadas não deve ser diferente, porque, infelizmente, o dinheiro compra tudo. O que o ministro deveria fazer era exigir mais capacitação para os professores e incentivar a melhorar o ensino, e não piorar, porque na minha opinião está piorando”, disse.

“Sinceramente eu acho um absurdo incentivar as escolas a não reprovarem os alunos, pois as crianças não vão nem pensar em se esforçar para passar nas provas, e como é que vai ser no dia que precisarem passar no vestibular ou num concurso? Quer dizer então que meus filhos vão para a escola só para marcar presença?”, indaga a jovem mãe.

A jovem disse ainda que faz a sua parte, incentivando os filhos a estudar em casa. “Acredito que a educação começa dentro de casa e eu pego no pé e eles têm que estudar para as provas e passar com nota boa. Faço isso para o bem deles, pensando no futuro. Não quero que meus filhos saiam da escola sem ter aprendido nada”.

É preciso mesmo melhorar a qualidade de ensino, não só no Estado, mas no País. O que se vê nas escolas são muitos professores despreparados e alunos desinteressados, pelo menos na maioria. O fato de ser reprovado não torna a criança ou o adolescente pior que o outro, mas o prepara para enfrentar o mundo competitivo. E, finalmente, é preciso destacar que a educação mais importante é a adquirida em casa.

Thayanne Magalhães

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PM Box abandonados viram pontos de tráfico de drogas em Maceió

A equipe de reportagem do Primeira Edição esteve em algumas localidades de Maceió para ouvir as denúncias da comunidade quanto a falta de segurança. O principal foco foi o fechamento e abandono de alguns PM Box que se transformaram em pontos de venda e consumo de drogas.


No bairro da Pajuçara, um PM Box que fica localizado na esquina da Escola Estadual Monsenhor Benício de Barros Dantas, está fechado há cerca de 5 anos. “Depois que o PM Box foi fechado, o número de assaltos na escola aumentou muito. No ano passado fomos assaltados mais de dez vezes. Os bandidos levaram televisores, bombas de água, botijões de gás, cadeiras, aparelhos de som e vídeo e só se inibiram porque contratamos segurança armada terceirizada”, conta a coordenadora pedagógica, Flávia Barbosa.

Flávia contou ainda que há cerca de dez anos uma policial morreu no local. “Cogita-se que tenha sido suicídio, mas os familiares não descartam a possibilidade de assassinato e até hoje o caso corre na Justiça. A PM era filha de uma de nossas funcionárias, e esta teve que ser afastada porque ficou com problemas neorológicos”.

Para a coordenadora, a falta de um PM Box no local prejudicou e muito a escola e principalmente os alunos. “O local se transformou em um lixão, além de servir para venda e uso de drogas. Nós tivemos que levantar um muro com nossos próprios recursos para isolar, mas, mesmo assim a violência continua e os bandidos não se inibem, porque o policiamento aqui não é constante, como deveria ser com o PM Box funcionando”, afirma.

Flávia disse também que, por conta dos assaltos e freqüentes casos de usuários de drogas entrando no local para usar crack, a escola teve uma grande evasão de alunos, chegando a 50% o número de estudantes que foram estudar em outro lugar. “Sobram vagas”, diz a coordenadora.


O professor da escola, Daniel Mello, conta que seu carro já foi arrombado duas vezes. “Os bandidos ficam na esquina da escola, exatamente onde funcionava o PM Box, e assaltam os alunos. Já levaram celular, dinheiro, bolsas do pessoal que sai da escola. Inclusive alguns moradores dessa região estão colocando suas casas a venda, e eu acredito que seja por conta da insegurança. A quantidade de viaturas que passa por aqui é insuficiente e depois que eles passam, os marginais voltam. Tem que ser segurança fixa”, afirma.


Outro PM Box que também não está mais funcionando, está localizado no bairro do Poço. O local se transformou na casa do flanelinha Analito da Silva, de 22 anos, natural de Murici. “Tem quatro meses que eu moro por aqui. O que o pessoal mais reclama é dos usuários de drogas, que tem muito por essa região. As viaturas da polícia passam, mas não adianta. As pessoas que usam droga se escondem de depois voltam de novo”, disse o morador de rua.

A dona de casa Valda Máximo, de 49 anos, reclama da falta de segurança na região. “O PM Box faz muita falta. Já tem uns quatro anos que fecharam esse aí e os drogados tomaram conta de tudo. As viaturas passam, revistam os marginais, mas eles escondem as drogas e quando a polícia vai embora, eles continuam vendendo e usando. Por isso que eu não acredito que a segurança funcione com as viaturas, é preciso que tenham pontos fixos com policiais trabalhando”, afirma Valda.


“Nós temos medo de denunciar os bandidos, porque o que mais se vê todos os dias, é a quantidade de gente que morre assassinada por causa desse crack, que está acabando com Maceió. Vejo meninas que conheci ainda bebês, e hoje estão jogadas pelas ruas do Poço, perdidas no mundo das drogas. É muito triste essa realidade”, conta a dona de casa.

O comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Gilmar Batinga, disse em entrevista ao Primeira Edição que pretende solucionar o problema aumentando o número de viaturas nas ruas da cidade. “Um PM Box só garante a segurança de cinquenta metros ao seu redor e são poucos homens trabalhando, isso não garante a melhoria na segurança de uma região. Estamos colocando mais viaturas para fazer o patrulhamento na ruas da cidade, com mais homens trabalhando”, afirmou Batinga.

Segundo ele, a partir da próxima segunda-feira (22), o número de viaturas patrulhando as ruas da cidade vai aumentar 50%. “Nos locais onde existem oito viaturas, aumentaremos para doze, e assim por diante. Isso irá melhorar a segurança da população, com certeza. Além disso, estudamos os horários com o maior índice de violência, que é entre treze horas e uma da manhã, e nesses horários o patrulhamento será ainda mais intenso”, disse o comandante.

No final das contas, aumentar o número de viaturas pode sim melhorar a segurança em Maceió, que, como se é constatado diariamente, só está aumentando a cada dia. Mas, é preciso que haja muitas outras ações por parte do poder público, principalmente no combate ao tráfico de drogas, que é hoje o principal fator para o alto índice de crimes registrado não só ca capital, mas em toda Alagoas.

Thayanne Magalhães

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jovens: como conciliar trabalho, estudos e vida pessoal?

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e os jovens têm buscado se aperfeiçoar e qualificar seus currículos, tentando conciliar os estudos, com trabalho, família e amigos. O Primeira Edição conversou com algumas dessas pessoas, que trabalham e estudam na ânsia de conquistar um futuro próspero e uma vida estável.

Fernanda Lima, de 23 anos, mora no município de Capela, distante 65 km de Maceió, e precisa acordar antes das 5 da manhã, para pegar o transporte gratuito que leva os estudantes para a capital. “Chego em Maceió às sete da manhã e vou para a empresa de consultoria onde trabalho como secretaria. Do trabalho, vou para a faculdade e quando largo às dez da noite, espero o ônibus de Capela passar às onze e chego em casa por volta de meia-noite. Essa é minha rotina”, conta Fernanda.

A jovem é estudante do 3º período do curso de Recursos Humanos e, mesmo com a rotina cansativa, ela não pretende parar por aí. “Quando terminar a faculdade quero trabalhar na minha área, mas, em seguida vou entrar no curso de pscicolgia, que não fiz antes por falta de condições financeiras. De qualquer forma, escolhi RH porque também está ligado a pessoas e tenho facilidade para me relacionar”.

Fernanda diz que é muito difícil conciliar seu trabalho estudos e vida pessoal, mas ela procura estar sempre em contato com seus amigos, principalmente nos fins de semana.

O estudante do 8º período de ciências contábeis, Gleydston Rodrigues Guedes, de 22 anos, veio de Canhotinho, em Pernambuco, para Maceió em 2007, onde o jovem se esforça para se estabilizar. “Lá na minha cidade não tinha o curso que eu queria fazer, então eu vim estudar em Maceió. Durante o dia eu trabalho como analista de curstos e durante a noite vou para a faculdade”, conta o jovem.

“Na verdade não foi uma questão de escolha ter que conciliar trabalho e estudos, eu preciso disso para alcançar meus objetivos. No começo eu consegui que minha família me ajudasse e as minhas despesas eram pagas pela minha mãe, mas, não dava para me sustentar até o fim do mês, então procurei um emprego”, explica.

Gleydston acredita que sacrificar seu tempo investindo no futuro lhe trará recompensas. “Minha rotina é muito cansativa e durante a semana não tenho tempo para nada, mas no fim de semana procuro sair com meus amigos e visitar minha família”.

“Eu pretendo continuar me aperfeiçoando, não vou parar de estudar, quero fazer pós, curso de línguas e ganhar cada vez mais espaço no mercado de trabalho, evoluir sempre”, afirma o estudante.

Íris Rafaela de Lima, 27 anos, se formou há pouco tempo e lembra do esforço que era ter que conciliar os estudos com o trabalho. “Passava o maior sufoco quando estava na faculdade. Trabalhava oito horas e depois encarava entre quatro e cinco horas de estudos, sem falar que muitas vezes abdicava dos meus finais de semana para fazer trabalhas acadêmicos. Hoje minha rotina mudou muito, antes estava correndo atrás do diploma, hoje a corro atrás das vagas ofertadas pelos concursos públicos, que no meu ponto de vista é a melhor opção para ter uma vida financeira estabilizada”, conta a administradora de empresas.

A jovem fala que abriu mão das festas no período em que tinha que conciliar o trabalho com a faculdade, mas que sua família e seus amigos entendiam sua ausência e davam força. “Descontração é fundamental, mas vale a pena abrir mão disso tudo quando se almeja um futuro melhor. A recompensa vem depois e seus verdadeiros amigos entendem e te dão força”, disse Íris.

Ana Sibelle Sandes dos Santos, de 30 anos, tem uma tarefa ainda mais árdua para cumprir no seu dia-a-dia. A estudante de ciências contábeis precisa conciliar suas tarefas de mãe com o trabalho e a faculdade. “Eu tento conciliar tudo da melhor maneira possível, por exemplo, eu administro minha casa e monitoro meus três filhos pelo telefone. Bate um sentimento de culpa as vezes mas não tenho outra opção por enquanto”, conta Sibelle.

“Só sobra tempo nos fins de semana, tanto para estudar melhor quanto para dar atenção para as crianças, e tento fazer tudo da melhor maneira possível”.

Para a jovem, que trabalha no setor financeiro de uma escola de Maceió, o importante é ir vivendo um dia de cada vez. “Não tenho muito tempo para pensar no futuro, mas quero ter uma vida tranqüila, poder proporcionar sempre mais conforto para mim e para meus filhos”, concluiu.

Os exemplos acima podem servir de incentivo para os jovens que ainda não encontraram um caminho a seguir. É preciso enfrentar o mundo e perceber que a prosperidade não vem até as pessoas, é preciso buscá-la, abrir mão de certos costumes, do comodismo, e estar sempre em busca do aperfeiçoamento profissional, visando uma vida tranquila lá na frente.

Thayanne Magalhães

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bairro de Maceió sem rede de esgoto sofre com o mau cheiro

Alguns bairros da parte alta de Maceió ainda não possuem rede de esgotos e muitas vezes a água suja é lançada nas ruas, trazendo transtornos como o mau cheiro, doenças, ratos e insetos. O Primeira Edição esteve no Ouro Preto, na periferia, e o que se vê são ruas tomadas pela água suja lançadas pelas casas, em alguns lugares existem até quedas d’água, molhando quem passa distraído.

A estudante Joyce da Silva, moradora do bairro, acredita que a única solução para o bairro é a instalação de uma rede de esgotos. “O mau cheiro incomoda muito. Essas casas que ficam no alto jogam água em quem passa embaixo, é horrível. Já vi muita gente se molhar com essa sujeira. Além disso, isso atrai muitos insetos e ratos que podem nos transmitir doenças”, disse a jovem.

Joyce pede para que as autoridades responsáveis prestem mais atenção no bairro e façam projetos que beneficiem a população.

Já a dona de casa Maria José, de 65 anos, que mora há 38 anos no Ouro Preto, disse que se comparar o bairro de hoje com o que era há alguns anos atrás, melhorou muito. “O Ouro Preto já esteve pior. Antigamente as ruas eram de barro, a lama tomava conta de tudo. Hoje o mau cheiro ainda incomoda muito. Os políticos vêm aqui no tempo de eleição, prometem que vão melhorar, mas fica só na promessa”, afirma Maria José.


Marcondes da Silva, de 24 anos, mora no bairro há apenas 10 meses e já pensa em se mudar. “É uma negação essa água suja no meio da rua. O bairro fica feio e atrai insetos e ratos. Provavelmente vou me mudar em breve daqui”, disse o jovem.

Procurada por nossa reportagem, a assessoria técnica da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), informou que a prefeitura é responsável apenas pela parte da drenagem de águas fluviais e pelos afundamentos de galerias. A Seinfra informou que a questão do esgoto a céu aberto é responsabilidade da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

Na Casal, o gerente de projetos, Luiz Emanoel, do órgão explicou que quando não existe rede de esgotos em uma localidade, são construídos os sistemas de tratamento primário, os tanques sépticos seguido de sumidouros, popularmente conhecidos como fossa. “A fossa é construída na frente ou nos fundos das residências, é uma obra de engenharia que funciona”, explica.

“Os proprietários das casas são os responsáveis pela construção das fossas, que devem passar por normas técnicas e manutenção freqüente. Essas pessoas quem jogam a água das pias, do jardim, direto na rua, são desinformadas, porque não são só as águas do vaso sanitário que transmitem doenças. Toda a água da casa deve descer pela fossa”, disse o gerente.

Luiz Emanoel disse que a Casal procurou construir redes de esgotos na parte baixa da cidade porque na época era a área de Maceió que estava crescendo. “Priorizamos os bairros da parte baixa porque as pessoas estavam indo morar lá. A Casal tem o planejamento de colocar redes de esgoto na parte alta, onde ainda não tem, mas não temos recursos, portanto também não temos previsão para projetos e obras”, disse.

O gerente informou que para evitar o lançamento de água suja das casas nas ruas, é preciso acionar a Vigilância Sanitária. “Se o seu vizinho tem um encanação que joga a água da pia de lavar pratos, do jardim, da lavanderia direto na rua, você pode acionar a Vigilância, que essa pessoa será multada e obrigada a usar somente a fossa”, afirmou.

A Vigilância Sanitária de Maceió fica no Centro da cidade e o telefone para contato é o 3315-5238.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

31 mortes: Moradores de rua culpam a polícia e o tráfico por assassinatos

A reportagem do Fantástico que foi ao ar neste domingo (07) definiu como ‘massacre’ as 31 mortes de moradores de rua em Maceió. O assunto tem repercutido em todo o país e o Primeira Edição procurou os principais personagens dessa trama para tentar entender o que está acontecendo na capital alagoana.

João Antônio da Silva, de 52 anos, mora há 30 anos nas ruas de Maceió e sobrevive catando latinhas com sua mulher. Ele é natural da cidade de Ribeirão, em Pernambuco e há dez anos perdeu um dos olhos em uma briga com um ‘amigo’.

José Antônio acredita que a principal motivação para os crimes é o consumo de drogas. “Eu conheço muita gente que morreu por causa do crack. Os ‘caras’ fumam e depois vão roubar. Antigamente não tinha essa tal de pedra, agora é o ‘terror do mundo’. Eu acredito que a maioria desses assassinatos são por causa disso, e não existe grupo de extermínio”, afirmou o morador de rua, que vive entre o Centro da cidade e a praia da Avenida.

O catador de latinhas disse que não teme por sua vida, pois não tem envolvimento com drogas. “Durmo tranquilo embaixo da marquise de uma loja, todos os dias, sempre no mesmo lugar”, disse.

Helrison Gonzaga da Silva, de 28 anos, divide um pequeno barraco na beira da praia da Avenida com outras 4 pessoas. Ele vive da pesca e também cata latinhas. O jovem cresceu na rua. “Não sei onde moram meus pais. Fui criado pelo meu tio de consideração, que me achou na rua e me ensinou tudo que eu sei”, conta.

Helrison disse que acredita que as mortes dos moradores de rua está relacionada a um grupo de extermínio. “Eu acredito que essas mortes tem a ver com o uso de drogas, ou por causa de rixas antigas entre os moradores de rua, mas com certeza existe um grupo de extermínio, e com certeza tem muito policial envolvido nesses crimes”, afirmou o pescador.

“Eles – os policiais – deveriam fazer a segurança das pessoas, mas são os primeiros a bater, matar, roubar e ter contato com os traficantes”, disparou.

Bruno Antônio Bezerra de Oliveira, 49 anos, o ‘tio’ de Helrison, saiu de sua casa em Arco Verde, Pernambuco, aos 12 anos. “Meus pais me mandaram embora e eu vim parar aqui, em Maceió,. Encontrei Helrison na rua e mandei ele me acompanhar”, conta.

Bruno Antônio concorda com a opinião de Helrison. “Com certeza tem policial envolvido nessas mortes. Eles matam por nada, só por malandragem mesmo. Infelizmente vivemos com medo, acuados, mas não temos outra opção de vida”, disse o catador de latinhas.

Outro morador de rua, Jhonny David de Morais, 23 anos, também opinou sobre os casos. “Eu vim de Arapiraca para Maceió e me viro pescando e catando latinha”, conta o jovem.

“Sobre os assassinatos, eu acredito nas duas versões. Acho que muitos morrem por estarem envolvido com o tráfico de drogas, mas acredito mesmo que os policiais matam muito mais do que os traficantes”, acusa.

O Governo do Estado
Em matéria publicada na Agência Alagoas, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela, determina que as investigações dos assassinados sejam reforçadas pela direção-geral da Polícia Civil.

Vilela determinou que até o próximo dia 22 todos os inquéritos relacionados a estes crimes estejam concluídos e sejam encaminhados à Justiça com os nomes dos executores e a motivação dos homicídios.

O governador também determinou que os moradores de rua que estão em situação de risco tenham apoio assistencial e a proteção do Estado, em uma ação conjunta dos órgãos da área de Assistência Social.

Fantástico
O Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que em Maceió existem 312 moradores de rua em Maceió, e de janeiro até agora, 10% deles foram assassinados.

Entidades pressionam as autoridades responsáveis pelas investigações para que os casos sejam esclarecidos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) divulgou a lista dos 31 mortos, temendo que as vítimas sem nome não tenham a mesma atenção do Estado e sejam enterrados como indigentes.

A Arquidiocese de Maceió também tem exigido respostas e o arcebispo Dom Antônio Muniz, disse em reportagem ao Fantástico, que considera a polícia de alagoas competente. “É dentro dessa perspectiva que eu exijo uma posição mais coerente, mais firme da polícia”, disse Muniz.

O promotor do Ministério Público Estadual, Alfredo Mendonça, do Grupo de Combate a Organizações Criminosas, que investiga os casos que podem envolver policiais, já denunciou 4 pessoa. “Dos 31 homicídios, 8 tem características de grupo de extermínio” afirma. Das 4 pessoas denunciadas, 3 são policiais, mas só um ex-policial está preso, Miguel Rocha Neto, o mesmo que matou uma pessoa em 2007, dentro de uma lan house.

Para o delegado geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco, o fato da maioria desses crimes ter sido cometido com armas de fogo, caracteriza a atividade de policiais civis nos crimes.

Para a polícia os outros assassinatos foram causados por rixas entre os moradores de rua ou dívidas com traficantes de drogas, inclusive 4 acusados estão na prisão. O crack tem um efeito devastador nas ruas de Maceió, diariamente são noticiados assassinatos motivados pelo consumo da droga.

O Primeira Edição vai continuar acompanhando o andamento dessas investigações.

Thayanne Magalhães

Esta é a primeira da série de reportagens que farei nas manhãs do Primeia Edição Online. Sugestões de pautas serão bem vindas! ;D Paz e Bem.