Os rumores de uma possível greve no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) têm deixado a população, que já não conta com um socorro eficiente, ainda mais preocupada. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Wellington Galvão, 90% dos profissionais envolvidos na discursão são prestadores de serviço, e não concursados. “Estão todos insatisfeitos com o pagamento do Governo, o desejo é ‘cair fora’ mesmo, porque quem faz greve são concursados. De qualquer forma, o sindicato apóia os movimentos”, afirmou Galvão, em entrevista ao Primeira Edição.
Segundo o presidente, na próxima terça-feira (11) os médicos irão se reunir com o novo secretário estadual de Saúde, Alexandre Toledo, e levar as questões para que sejam feitos acordos entre os profissionais e o Estado. “A prestação de serviços, a falta de condições de trabalho, não só no Samu, mas no HGE, na Unidade do Agreste, tudo isso será levado ao secretário e esperamos que ele resolva essas questões, porque o último secretário foi um desastre”, disparou.
Reclamações dos médicos
Entre as principais queixas dos médicos do Samu, estão o fato de terem sido contratados para atuar em Maceió e cobrirem todo o Estado, a insalubridade que eles recebem é em cima do salário mínimo, e não do salário dos médicos, que, segundo a classe, é o menor do Norte e Nordeste do país, o contrato de 40 horas recebe bem menos que os de 20 a 24 horas dos outros Estados, só existem 2 a 4 médicos nos plantões, as vezes apenas um, enquanto o necessário seria no mínimo dez profissionais, só para Maceió, e outras.
A população
Um drama vivido por milhões de brasileiros também aflige a vida da aposentada Ivonete Bastos, de 62 anos. Seu filho mais velho é usuário de crack e a idosa se vê sem ter o que fazer, porque não tem condições de internar o homem em uma clínica particular e a saúde pública não tem tratamentos que obriguem o paciente a permanecer nos hospitais. “Teve um dia que ele pediu ajuda e chamamos o Samu. Esperamos mais de 4 horas, ligando insistentemente para que uma ambulância viesse buscá-lo e o levasse para um hospital psiquiátrico da cidade. Ele foi primeiro no Portugal Ramalho e disseram que não tinha vaga para o caso dele, aí o médico disse para ele ir no ‘Zé Lopes’, e lá o outro médico disse que ele sairia pior se ficasse internado, e mandou ele tomar uns remédios em casa mesmo”, conta.
“Se a pessoa toma a atitude de querer sair dessa e o Estado não dá condições, como é que vamos combater essa droga? Matando, como fazem os traficantes diariamente? E quando o meu filho não tiver mais o que levar de casa para trocar por uma pedra – ele já levou computador, liquidificador, roupas, calçados, celulares, muito dinheiro – o que vai acontecer?”, indaga a mãe aflita, relatando ainda que os remédios não surtiram efeito e o filho continua usando a droga diariamente.
Para Ivonete, o Samu não tem estrutura para atender a demanda de casos em Maceió e a saúde pública é ineficiente. “Não sei se os médicos têm razão em querer paralisar, afinal fizeram um juramento de salvar vidas. O que vejo é puro interesse, só pensam em dinheiro, são desumanos, muitos deles, principalmente no HGE, porque já estive lá e presenciei. A morte é algo que não mexe mais com o emocional desses profissionais, é comum, banal”, desabafa.
Em outubro do ano passado, a jovem Elizabeth Medeiros, de 18 anos, se viu muito aflita quando o avô teve um início de AVC – popular derrame – e o Samu demorou mais de 40 minutos para chegar. “Ficamos todos muito aflitos, meu avô estava muito mal e a ambulância não chegava. Mas, no final ficou tudo bem, o médico fez um bom atendimento”, conta a back office.
Elizabeth acredita que existem bons profissionais da saúde pública, mas o que falta mesmo é estrutura para um bom trabalho. “Acho que se tivessem mais ambulâncias o atendimento não teria demorado tanto. A minha reclamação é com a demora no atendimento, mas o médico foi muito bom a salvou meu avô”, disse.
Thayanne Magalhães (Foto: paciente no chão da recepção do HGE; médicos e enfermeiros ignoram)
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